Everybody’s Golf VR – Análise – Torna-te no Tiger Woods português

O meu conhecimento sobre o golfe é, admito, muito limitado – tirando a mecânica geral do desporto, desconhecia por completo as nuances e vernáculo do mesmo. Até porque não é um desporto propriamente popular em Portugal, muitas vezes associado a indivíduos de determinado estatuto social.

Por isso mesmo, quem diria que iria achar tanta graça a Everybody’s Golf para VR? O jogo funciona realmente muito bem em realidade virtual – não só na forma como as mecânicas do gameplay foram idealizadas, mas também nas enormes e luxuosas paisagens que irás visitar.

Desde os clássicos campos verdejantes de um qualquer clube privado de golfistas até praias paradisíacas de água cristalina, os ambientes de Everybody’s Golf são realmente muito imersivos e detalhados, repletos de personalidade. Não te podes deslocar por eles, é verdade – mas olhando à tua volta, ficarás com um sentimento de calma quando reparares na relva verdejante, florestas, barcos, lagos, aviões e em todos os elementos que compõem a paisagem, que se estende bem longe até ao horizonte.

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Os ambientes de Everybody’s Golf são realmente muito imersivos e detalhados, repletos de personalidade.

Tirando isso, não há propriamente muito que explicar no que diz respeito ao funcionamento do jogo: usando o comando da Playstation ou o Move (optei pelo segundo para ajudar com o realismo da experiência), terás que seleccionar entre uma vasta gama de tacos, cada um com design e potência diferente, posicionar-te devidamente e dar uma tacada na bola virtual, usando a força necessária consoante a distância que te separa até ao buraco. Terás também de ter em atenção uma série de outros factores que incluem o ângulo da batida, a inclinação do terreno e direcção do vento, o que introduz um elemento de estratégia interessante ao jogo.

Para uma experiência virtual, a sensação causada com cada tacada é de um realismo bastante peculiar e nunca pensei ficar tão envolvido com golfe. Em poucas horas de gameplay com Everybody’s Golf, dei por mim a escolher minuciosamente qual o melhor taco para o buraco em questão, tendo sempre o local de destino sob mira e movimentando o comando Move com o máximo de cuidado possível. Ao lançar a bola, vendo-a a voar pelo ar até ficar cada vez mas pequenina, torcia dentro de mim para que caísse o mais perto possível do buraco – quando não acontecia, sentia a fúria a tomar conta do meu corpo!

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Para uma experiência virtual, a sensação causada com cada tacada é de um realismo bastante peculiar.

O facto do jogo conseguir criar este tipo de sensações mostra como toda a estrutura central de Everybody’s Golf foi muito bem conseguida – até num desporto mais “calmo” como este, não deixas de sentir uma urgência em conseguir fazer melhor, tornando-se quase uma obsessão em reduzir o teu número de tacadas. Sempre que a bola caía num obstáculo de areia, ficava realmente irritado; e quando a bola passava a míseros centímetros do buraco, não conseguia mesmo evitar dizer um ou outro palavrão.

Até porque, se não estás familiarizado com as regras do golfe, é importante que saibas que quanto menos, melhor: em cada jogada, tens um número mínimo de tacadas para acertares com a bola no buraco; se conseguires acertar logo à primeira, farás aquilo que neste desporto se chama Hole-in-One. No meu caso específico, não consegui fazer um Hole-in-One: o melhor que consegui foi mesmo um Birdie que, na linguagem do golfe, significa que ficaste uma tacada abaixo do número de tacadas mínimo de um determinado buraco.

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Apesar de tudo, por mais divertido e realista que seja, Everybody’s Golf pode ser por vezes um pouco “injusto” – nem sempre é fácil medir a força necessária para cobrir determinada distância, o que pode resultar numa tacada menos boa que, por sua vez, faz com que a bola se desloque para um local menos adequado. Existe um pequeno mapa virtual junto da bola que te dá uma melhor ideia das distâncias a cobrir mas, ainda assim, ficas sempre com a sensação de que algumas tacadas são apenas pura sorte – ou azar. Nada que denigra a experiência geral (até porque não é muito frequente e os controlos são bastante responsivos) mas que não podia deixar de referir.

Claro está, o jogo acaba sempre por seguir a mesma lógica, podendo tornar-se ligeiramente repetitivo – apenas com uma camada de tinta diferente. Tudo o que irás fazer durante o teu tempo com Everybody’s Golf é ir para o campo com o teu caddie e simplesmente dar tacada atrás de tacada. O único motivo que te poderá impulsionar a prosseguir é caso queiras subir de nível e/ou desbloquear outros tipos de bónus, como novos caddies, novos estilos de cores para os mesmos, novos campos, modos com mais buracos de jogo, novos tacos, entre outros. Este é um dos pontos mais problemáticos do jogo, já que reduz um pouco a longevidade do mesmo – não existe uma competição, torneio ou outro tipo de evento que te ajude a prender a atenção. Basicamente, é só uma espécie de treino com o teu caddie, que te acompanha ao longo do teu percurso e te vai dando dicas e conselhos à medida que fores jogando.

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Everybody’s Golf acaba sempre por seguir a mesma lógica, podendo tornar-se ligeiramente repetitivo.

Felizmente, o gameplay do jogo é sólido o suficiente para colmatar um pouco isso – e o enjoo no dispositivo é praticamente inexistente, o que te permitirá jogar durante horas seguidas. Sem qualquer tipo de dor de cabeça! Acabarás por jogar os mesmos níveis uma e outra vez, o que não é ideal, mas a ideia de tentares completar um nível com um número reduzido de tacadas poderá ajudar-te a manter-te investido. E se tiveres dificuldades, o jogo oferece ainda uma série de opções de acessibilidade que poderão ajudar todo o tipo de jogadores.

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Existe ainda um outro ponto que tenho de referir: os caddies. Os mesmos podem ser bastante úteis, dando-te informações sobre a direcção para onde deverás bater a bola, quão bem o fizeste, onde caiu ou que taco deverás usar. No entanto, rapidamente se tornam chatos, deixando-me muitas vezes desconfortável!

Em primeiro lugar, os caddies vão repetindo as mesmas falas uma e outra vez; em segundo lugar, as reacções deles com cada uma das tuas tacadas podem ser um pouco exageradas, num overacting que, por norma, se vê em filmes de categorias mais baixas. Por fim, em certos momentos do jogo, poderás desbloquear algumas cenas com eles: dentro de um carrinho de golfe, a ver a paisagem, ou a partilharem uns fones comigo para ouvirmos música. Não sei se é fruto da realidade virtual ou não, mas senti mesmo que os caddies tinham uma qualquer atracção por mim, deixando-me ligeiramente desconfortável em determinadas ocasiões.

kjfSNVSU_PREVIEW_SCREENSHOT4_542473 Uma das tuas caddies.

Os caddies rapidamente se tornam chatos, deixando-me muitas vezes desconfortável!

De qualquer das formas, se queres uma experiência mais relaxante para a realidade virtual, Everybody’s Golf poderá ser uma boa opção. Não existe pressão, nem drama nem qualquer urgência, permitindo-te jogar como bem entenderes. Mesmo para quem não gosta ou não está familiarizado com o golfe, este é um título que continua a ser apelativo, ideal para qualquer idade. Agora, não penses que só por te dares bem com o jogo te irás tornar o Tiger Woods português – já joguei golfe na vida real e fui uma valente nódoa, mal acertando na bola!

Prós: Contras:
  • As mecânicas do golfe são bastante realistas e divertidas
  • Os ambientes são ricos e detalhados
  • O jogo pode ser um pouco repetitivo
  • A longevidade é bastante curta
  • Os caddies são, por vezes, bastante chatos
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