Super Smash Bros. Ultimate – Análise – Smashíbrido

Sou um daqueles que acredita piamente que a Nintendo enverga um pedigree singular. Uma companhia capaz de honrar o seu fascinante legado, de homenagear incessantemente as suas próprias personagens, e dotada das suas próprias metodologias para manter os fãs fiéis durante décadas. Não me considero um embaixador, um recriador de sinopses oficiais que chilreia ao som de todas as batidas corporativas, mas não consigo deixar de ficar entusiasmado quando a Nintendo apresenta algo da envergadura de Super Smash Bros. Ultimate.

Especialmente porque este é um daqueles jogos que mostra a Nintendo no seu melhor e até parece fácil. Não será presunçoso dizer que ninguém poderia fazer um jogo destes, com esta qualidade, ao nível da Nintendo. Não é um elogio vazio, é apenas uma forma de dizer que nenhuma outra conseguiria recriar o estilo, qualidade, atenção ao detalhe, quantidade e minuciosa representação de imensas propriedades num só palco.

Isto não é obra do acaso, mais uma vez, é uma incontestável demonstração do pedigree da gigante Japonesa. Mais do que uma formalidade, a Nintendo assume um compromisso de qualidade com os seus fãs e cumprir com ele é um acto de honra. É uma impressionante faceta de uma companhia que ainda parece agir de acordo com os códigos dos Samurai.

Esta introdução nada te disse de Smash Bros. Ultimate, mas ao mesmo tempo disse-te o que precisas saber. Masahiro Sakurai volta a ser o representante das filosofias pelas quais a Nintendo se rege e liderou uma equipa empenhada em surpreender os fãs, aumentar a qualidade através da quantidade (elevando a níveis estratosféricos a exigência) sem a momento algum se desprender desse inabalável vínculo que une a Nintendo aos seus fãs – um compromisso de qualidade com a honra de um samurai.

Certo que nem sempre funcionou, é verdade, mas em Smash Bros. Ultimate resulta num jogo altamente divertido que serve como a personificação de tudo o que queres ver na Nintendo: simplicidade transformada em brilhantismo.

Smash Bros. Ultimate é um jogo de luta onde mais de 70 personagens da Nintendo e de outras companhias como Square Enix, Bandai Namco, Capcom, Platinum Games, Konami e outras se enfrentam. A simples noção que estas companhias emprestaram os seus personagens é uma forte demonstração do respeito pela Nintendo. Neste jogo de luta os adversários espancam-se para aumentar a percentagem e a probabilidade de serem enviados para fora da arena – este é o objectivo. Para isso terás de recorrer a ataques normais e especiais (com variantes através das direções), mas também te podes desviar de ataques e até agarrar os adversários.

Tudo muito simples, mas engenhoso e viciante. Um dos grandes méritos da série e neste caso de Smash Bros. Ultimate é como transforma o seu gameplay aparentemente simples num jogo que te agarra e não consegues largar. Consegue tornar-se caótico, frenético, explosivo, ocasionalmente impossível de acompanhar, raras vezes frustrante, mas sempre divertido. Encontrar formas de manter ou mandar os adversários para fora das arenas vai-te mergulhar num jogo que até exige algum pensamento estratégico – nada mau para um gameplay tão simples e com um tom que relembra imenso a sensação dos clássicos de arcada dos anos 90.

Isso acontece devido à surpreendente forma como a equipa liderada por Sakurai adaptou estes imensos personagens para esta fórmula. Imagina Cloud de Final Fantasy 7 a combater com Solid Snake de Metal Gead Solid e tens uma ideia surpreendente. Tal como a restante quantidade incrível de personagens no enorme elenco do jogo, usam golpes e habilidades especiais que reconheces de imediato dos seus jogos e todos eles actuam com as suas próprias especificidades, o que introduz uma outra camada de estratégia e profundidade ao gameplay.

Tudo isto é sabido e conhecido pelos fãs, pelos veteranos, nada mudou. Onde a Nintendo decide elevar a fasquia é atrevendo-se a aumentar a quantidade sem a momento algum comprometer a qualidade. Existem imensas novidades como Simon Belmont de Castlevania, Riley de Metroid ou King K. Rool de Donkey Kong e todas elas funcionam na perfeição. Existe uma quantidade inacreditável de referências aos seus jogos, interações, momentos inesperados e sequências cómicas que vais adorar. As próprias animações dos personagens estão fantásticas e repletas de pequenos instantes que te vão deixar sempre à procura de mais um momento kodak.

1Terás de usar vários Spirits em World of Light para aumentar o teu poder e usar outros de suporte para anular adversidades específicas.

Gerir um gameplay arcada simples e dinâmico capaz de atrair novatos sem perder a profundidade que apaixonou os veteranos é um acto delicado e a Nintendo conseguiu cumprir com a sua ambição. Todas as novidades apresentam diversos argumentos que vais querer explorar e apesar do esquema de controlo simples e leque relativamente limitado de movimentos, já sabes que jogar com Sonic terá uma sensação totalmente diferente de jogar com Pikachu. Essa noção é obrigatória e necessária para sentires cada personagem tal como ele é.

Nesta incursão pela Switch, a Nintendo demonstrou uma ambição digna de Ícaro, mas o mais surpreendente é ver que cumpriu. A prova disso não está no leque impressionante de personagens repletas de animações e pequenos toques que lhes dão a exigida autenticidade, nem sequer está na grande quantidade de modos que tens ao teu dispor – como o tradicional Smash e variantes. A prova do desejo da Nintendo em superiorizar-se está na introdução dos Spirits e do modo World of Light.

O modo World of Light é uma espécie de celebração de todas as propriedades Nintendo na forma de um mundo em tabuleiro visto de uma perspectiva aérea onde o teu personagem percorre os diversos locais e encontra obstáculos. Inicialmente, após o ataque de Galeem, apenas Kirby sobrevive e terás de lutar contra outros personagens para os desbloquear. Pelo meio encontrarás diversos espíritos que terás de ultrapassar e esta é a mais entusiasmante novidade de Super Smash Bros. Ultimate.

Um Spirit está associado a um lutador e terás de o enfrentar para desbloquear esse Spirit, mas estes combates estão envoltos em regras específicas e especiais que introduzem uma noga camada na dinâmica de Super Smash Bros. e que marca definitivamente este jogo. Existem quatro elementos de Spirits e cada um tem privilégio sobre outro, o que te obriga constantemente a trocar de Spirits para ganhar XP e subir o nível deles. Além destes Main Spirits, desbloquearás outros de suporte que te dão buffs, armas ou simplesmente anulam adversidades específicas de um desafio.

Imagina que enfrentarás um adversário equipado com um Spirit verde com 3565 de poder num cenário repleto de nevoeiro. Precisarás de um Spirit vermelho com aproximadamente o mesmo poder (quanto mais superior for mais forte serão os teus golpes) e de um Spirit adicional capaz de anular o nevoeiro no mapa. Caso contrário, terás de penar no meio do nevoeiro e arriscar ver os teus golpes a tirar pouco “dano”.

Imagina diversas adversidades adicionais como ventos que te empurram para fora da arena ou chãos em chamas e tens uma ideia dos Spirits que precisarás libertar para seguir até ao boss final. Pelo meio terás ainda outras boss battles especiais que resultam em alguns dos melhores momentos do jogo. Esta busca por qualidade através da quantidade faz com que o modo World of Light seja enorme e dure mais de 20 horas, mas por mais divertidos que sejam os desafios adicionais e a já esperada mesquinha dificuldade de alguns deles, uma quantidade tão grande de obstáculos poderá começar a desgastar alguns – especialmente quando certos desafios se repetem.

“A sensação de um jogo arcada com diversão imediata é engrandecida com os Spirits”.

No entanto, são através destes desafios que a Nintendo expressa da melhor forma a essência de Super Smash Bros. – desafia-te a procurar outros Spirits, a melhorar a tua habilidade e até a procurar como melhor usar os itens espalhados pelas arenas. O World of Light é apenas um de muitos modos de jogo que encontrarás em Ultimate, mas é o mais marcante e onde vais passar a maioria do teu tempo, quando não estás a jogar com amigos online.

A atenção ao detalhe e a vontade da Nintendo em respeitar os convidados de outras companhias – sejam os personagens, os cenários ou os Spirtis, é imensa que é fácil ver isso nas animações, cenários e também na música. Super Smash Bros. Ultimate é uma autêntica celebração da indústria Japonesa dos videojogos e muitas das mais icónicas séries Japonesas são homenageadas dentro e fora das arenas. A quantidade de temas é incrível e podes escutá-los sempre que quiseres.

Onde Super Smash Bros. Ultimate poderá suscitar algum debate é no seu departamento visual. As melhorias gráficas sobre o anterior título são mais que muitas e inegáveis, no entanto, poderão não ser suficientes para alguns. Durante muito tempo foi debatido se este Ultimate seria uma versão DX, uma espécie de remaster, e não um jogo novo. O compromisso com a qualidade da performance, a fluidez é perfeita, é digno de elogios, mas a componente gráfica poderá não revelar suficiente avanço para satisfazer todos. Como referido, existem grandes melhorias no sistema de iluminação dos cenários, mais detalhe nas texturas e mais elementos, mas não esperes um avanço espantoso sobre o que viste anteriormente.

Super Smash Bros. Ultimate é mais do que um sensacional brawler cujas bases simples são apenas a porta para um gameplay dinâmico e com surpreendente profundidade, é uma celebração da Nintendo e da indústria Japonesa num formato híbrido. Transportar um jogo desta qualidade contigo dá todo um novo sentido ao formato portátil. A qualidade gráfica poderá não dar a sensação de um jogo totalmente novo, mas o World of Light, os Spirits, o modo Smash, Classic e Mob Smash asseguram que a diversão não terminará tão cedo. É um caso sério de diversão na tua Nintendo Switch.

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