Super Mario 3D All-Stars Review – Memoráveis Clássicos da Nintendo

Parece algo tão óbvio que até ficamos incrédulos como ainda não tinha acontecido, mas finalmente temos três dos mais espectaculares jogos da era 3D de Super Mario na Nintendo Switch. Super Mario 3D All-Stars é uma nova colectânea composta por Super Mario 64, Super Mario Sunshine e Super Mario Galaxy (sendo os dois últimos os meus favoritos da série). A oportunidade de voltar jogá-los na Nintendo Switch, com tudo o que o seu conceito híbrido permite, é simplesmente irresistível e uma forma da Nintendo permitir que três dos seus maiores jogos de todos os tempos se libertem das suas respectivas plataformas. Mais do que merecido.

Lançado em 1997 para a N64, Super Mario 64 é um dos jogos mais conhecidos de todos os tempos, especialmente para as crianças dos anos 90 que assistiram à transição para 3D. Super Mario Sunshine chegou em 2002 e, apesar de figurar como um dos mais divisórios jogos da série, especialmente pela difícil tarefa de suceder a SM 64, é um jogo sem igual na série. Super Mario Galaxy chegou à Wii em 2007 e deu-me uma das minhas experiências favoritas de todos os tempos, voltando a brincar com o que era esperado da série ao apostar em mecânicas como gravidade e controlos por movimento. Estes jogos estão todos intimamente relacionados com as plataformas nas quais foram lançados, são todos incrivelmente entusiasmantes e não há melhor atestado da sua qualidade do que os jogar numa plataforma nova em 2020 e descobrir que ainda são fascinantes.

Mais do que isso, representam uma jornada pelo rico historial da série e permite ao adulto descobrir todas as especificidades e deliciosas curiosidades em torno do trajecto que ficou marcado pela passagem do testemunho de Shigeru Miyamoto a Yoshiaki Koizumi. Actualmente uma das maiores vedetas no desenvolvimento made in Nintendo, Koizumi teve o seu primeiro grande trabalho Super Mario em Sunshine e após brincar com o que era expectável de Super Mario em termos de conceitos, design e mecânicas, a sua difícil tarefa de solidificar Super Mario no universo dos jogos de plataformas 3D foi consagrada em pleno com Galaxy. A mestria da equipa liderada por Koizumi e a sua tendência para explanar a sua excentricidade colorida em experiências jogáveis tornou-se desde então alvo de merecido respeito.

3 grandes amores

Super Mario 3D All-Stars é um produto há muito desejado e na hora de o colocar numa das mais populares plataformas da sua história, a Nintendo actualizou estes jogos para resoluções HD e ajustou os rácios de aspecto para os ecrãs panorâmicos na sua consola e nas TVs modernas. Apesar de existirem grandes ganhos em jogar estes jogos em HD, com uma maior nitidez, e se ainda permanecerem incrivelmente coloridos, a sensação que terás é que a Nintendo pouco mais fez. Existem ajustes gráficos que revelam cuidado equilíbrio entre preservação do original e a necessidade de os actualizar, mas ao aplicar essa postura ao gameplay ficamos a pensar até que ponto isso foi o melhor. É glorioso ver especialmente Sunshine e Galaxy com uma qualidade visual que até consegue enganar e sugerir que são jogos de 2020, concebidos propositadamente com esta estética, mas no geral e especialmente em relação ao gameplay, fica a sensação de esforço mínimo.

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“Estão aqui 2 dos mais marcantes jogos no meu percurso enquanto fã da Nintendo.”

A Nintendo provavelmente optou por conversões directas para manter a máxima fidelidade na sensação destes jogos, respeitando o seu estatuto de clássicos intemporais, mas no caso de algumas mecânicas, fica a sensação que modos alternativos poderiam ter fortalecido esta compilação. O uso dos analógicos ao estilo clássico (não se movimentam de forma contínua ao pressionar o botão, tens de o pressionar consecutivamente para rodar a câmara no caso de SM64 e Sunshine; em Galaxy alterna de acordo com os níveis) poderia ter sido actualizado num modo moderno opcional, enquanto uma opção alternativa para gravar o progresso de forma mais abrangente poderia ajudar Super Mario Sunshine a tornar-se menos agressivo para novatos.

No entanto, o jogo onde encontrei verdadeiramente problemas em termos de controlos foi em Super Mario Galaxy. Esta compilação que se auto-intitula 3D All-Stars de Super Mario não inclui Super Mario Galaxy 2 (praticamente imperdoável), mas pelo menos inclui o seu antecessor. É um jogo fenomenal lançado originalmente para a Wii, que brincou de forma engenhosa com o que era expectável de Super Mario na altura. Como referido, todos os jogos estão altamente associados a cada uma das plataformas nas quais foram lançados e na Wii os controlos por movimento eram o furor, algo bem presente em Galaxy. Ao converter o jogo para a Switch, a Nintendo dá-te duas formas de controlo para esse tipo de segmentos controlados por movimento e quase tenho pena de quem o vai jogar numa Nintendo Switch Lite.

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Se jogares na Switch matriz, terás de tocar no ecrã para movimentar Mario entre as estrelas. Isto apresenta-te o risco de tapar grande parte da acção com os dedos ou com as mãos, iniciando uma espécie de luta contra ti próprio, pois queres ver as estrelas azuis onde tens de tocar, mas a tua mão tapa grande parte do ecrã. Alternativamente, podes separar os Joy-Cons da consola e usar os controlos por movimento, recriando em pleno a versão original e jogando com incrível naturalidade. Não senti qualquer problema, passei estas secções à primeira e diverti-me a fazê-lo, livrando-me do stress que senti com os controlos por toque naqueles segmentos cronometrados. Se jogares na Switch Lite, não poderás fazer isto e terás de jogar por toque, num ecrã mais pequeno, correndo o risco de tapar toda a acção com a mão. Ao mesmo tempo, em algumas destas secções, enquanto usas uma mão para tocar no ecrã, tens de segurar a Switch com uma só mão para que esteja pronta para tocar no botão quando Mario chega à estrela laranja.

“O risco de tapar grande parte da acção com os dedos ou com as mãos, iniciando uma espécie de luta contra ti próprio”

Sumptuosa mestria que se sente incompleta

Super Mario 3D All-Stars é uma compilação fantástica se olhares para os jogos que estão nela presentes, já de si galácticos. São três dos mais memoráveis títulos no rico trajecto da Nintendo ao longo dos anos, no entanto, existe uma sensação de esforço mínimo, o que poderá ser encarado por alguns como uma forma de preservar fielmente os jogos, enquanto outros vão encarar como uma oportunidade perdida para introduzir pequenos refinamentos, especialmente nos sistemas de câmara. A sensação de esforço mínimo, a ausência de Super Mario Galaxy 2 e as secções com controlos por toque em Super Mario Galaxy (especialmente nefastas para quem jogar na Switch Lite) não lhe permitem figurar como uma compilação verdadeiramente definitiva.

Prós: Contras:
  • 3 dos melhores jogos de todos os tempos na Switch
  • 3 jogos que preservam todo o seu charme
  • 3 gloriosos atestados a design intemporal
  • 3 sumptuosos exemplos da mestria Nintendo em ecrã panorâmico
  • 3 deslumbres de cor e vida jogáveis em qualquer lado
  • 3 bandas sonoras repletas de temas marcantes que podes ouvir à vontade
  • 3 magníficos clássicos que deviam ser 4 com Super Mario Galaxy 2
  • Sensação de esforço mínimo
  • Fica a ideia que pequenas melhorias quality of life teriam feito grande diferença
  • Controlos por toque em Galaxy tornam-se incómodos, especialmente no modelo Lite
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