Star Wars Jedi Fallen Order – Review – Os fãs vão adorar

Para quem sempre quis ser um Jedi.

A Força e os Jedi são os elementos mais fascinantes de toda a saga Star Wars. É de estranhar, portanto, que a EA tenha demorado tanto tempo a lançar um jogo como Jedi Fallen Order, que nos coloca precisamente a controlar um guerreiro Jedi. Não é o primeiro do seu género – já houve títulos como Jedi Knight e The Force Unleashed com propostas semelhantes – mas é o primeiro do seu tipo a ser lançado na actual geração de consolas. Para os fãs da saga, é um acontecimento importante e entusiasmante, com o lançamento do jogo a acontecer cerca de um mês antes da estreia do próximo filme da saga Star Wars: Rise of Skywalker.

É curioso que tenha sido a Respawn Entertainment a desenvolver Jedi Fallen Order. A Respawn Entertainment, fundada pelos criadores de Call of Duty e posteriormente adquirida pela EA, é conhecida pela sua elevada experiência em jogos de tiros na primeira pessoa. Jedi Fallen Order é um jogo completamente diferente de um jogo de tiros, apostando numa mistura entre o combate desafiante de Dark Souls e momentos cinematográficos à lá Uncharted. Devido a esta enorme influência de outros jogos, houve momentos em que senti falta de uma identidade própria em Jedi Fallen Order, mas acabou por ser uma aventura muito agradável no universo de Star Wars.

Cal Kestis – Um Jedi escondido

A história de Jedi Fallen Order está integrada no novo cânon de Star Wars e foi criado, de propósito, um protagonista para esta aventura. Cal Kestis é um dos pouquíssimos Jedi que conseguiu sobreviver à ordem 66 do Imperador Palpatine. Anos depois desse acontecimento, Cal vive disfarçado numa sucata de naves espaciais, escondendo de todos a sua faceta Jedi. O disfarce desaba quando Cal recorre à Força para salvar um amigo de um acidente de trabalho, acabando por ser descoberto pelo Império.

Cal Kestis é a personagem perfeita para um videojogo, ou seja, a sua história de origem, de que escapou da Ordem 66 quando era ainda uma criança, justifica que vai melhorar as suas capacidades ao longo da aventura. Existe assim uma explicação lógica para a sua “verdura” no início do jogo, não sabendo praticamente nenhuma das habilidades pelas quais os Jedi são famosos. O jogador também acaba por encarnar a inexperiência de Cal através do sistema de combate. Existe uma curva de aprendizagem e, se no início do jogo um grupo de Stormtroppers é um desafio, no final não são mais do que pequenos contratempos.

A narrativa que Jedi Fallen Order apresenta não tem o impacto de um filme principal da saga Star Wars, mas tem interesse o suficiente para ser equiparada à linha de spinoffs “A Star Wars Story” – onde estão inseridos Rogue One e Han Solo. É um conto que não avança propriamente na história da saga, mas que mostra eventos que ficaram nas entrelinhas. A parte mais surpreendente e cativante é a quantidade de planetas que visitas -alguns destes sítios nunca foram retratados nos filmes do cinema e revelam muitas curiosidades do universo Star Wars, o que é de valor para qualquer um que esteja minimamente investido nesta saga.

Dark Souls com lightsabers

Para desenhar o combate e jogabilidade de Jedi Fallen Order, a Respawn inspirou-se num dos jogos mais influentes desta década: Dark Souls. Este nome suscita sempre algum receio devido à fama de dificuldade elevada que a saga Dark Souls ganhou, mas Jedi Fallen Order é um jogo muito mais acessível. No início escolhi a segunda dificuldade mais elevada – recomendada para pessoas com experiência em jogos de acção – e em nenhum momento senti vontade de partir o comando! A Respawn conseguiu adaptar muito bem o estilo de Dark Souls aos combates com os lightsabers de Star Wars.

No início as possibilidades do combate estão bloqueadas porque necessitas de desbloquear mais habilidades, mas na recta final, quando já tens acesso a quase tudo, é uma maravilha. Nunca existiu um jogo de Star Wars com uma jogabilidade tão fiel aos combates com lightsabers e aos poderes dos Jedi. Além de poderes fazer coisas como reflectir os disparos das armas e de fazeres poderosos contra-ataques, podes escolher se queres combater com um lightsaber com um único feixe de luz ou se preferes dois feixes de luz (um em cada ponta, como aquele que Darth Maul usava em The Phantom Menace).

O combate atinge o seu expoente quando encontras inimigos à altura que conseguem bloquear os teus ataques e exigem um timing correcto para te desviares dos ataques ou bloqueares e contra-atacar. Nestes momentos, sentes mesmo que és um Jedi e que tens de usar tudo o que aprendeste até ali para triunfar. Mas estes encontros não são assim tão frequentes e os inimigos mais comuns são Stormtroopers e criaturas que habitam nos planetas, como insectos explosivos, cabras, toupeiras, e ogres.

Aventura espalhada por vários planetas

Como já tinha referido, a história de Jedi Fallen Order requer que visites planetas diferentes, como por exemplo Kashyyyk (o planeta dos Wookies) e Dathomir (o planeta de onde veio Darth Maul). A construção de níveis está feita de forma a encorajar a exploração, com o desbloqueio de muitos atalhos que permitem uma navegação mais fácil pelo planeta. O encorajamento para exploração são itens cosméticos de personalização. Quando abres um dos muitos caixotes escondidos pelos níveis, desbloqueias novos fatos e cores para Cal, skins para o BD-1 e para a tua nave, e também novas peças para o teu lightsaber. De tudo isto, o que mais gostei foi a personalização do lightsaber. As possibilidades não são vastas, mas são bem-vindas de qualquer forma.

Os checkpoints, semelhantes às bonfires de Dark Souls (em vez de ser uma fogueira, é um sítio de meditação onde podes gastar os pontos de experiência em novas habilidade), são frequentes. Nos sítios de meditação, podes recuperar a tua vida e as cápsulas curativas que o teu droid – o adorável BD-1 – te fornece durante os combates. No entanto, quando fazes isto, todos os inimigos que derrotaste voltam a aparecer. Mais uma vez, a influência de Dark Souls é notável. De um ponto de vista lógico, este reaparecimento de inimigos não faz sentido no universo de Star Wars. É meramente uma mecânica de gameplay que te permite “farmar” experiência e continuar a ter inimigos para combater, mesmo depois da história terminar.

dathomir_jedi_fallen_order Dathomir é um dos planetas que podes visitar nas primeiras horas de jogo.

Visitar cada um dos planetas de Jedi Fallen Order foi uma experiência incrível. A Respawn criou níveis enormes, bem estruturados e variados. Nem todas as secções são compostas por combates. Há frequentemente puzzles para resolver com os teus poderes Jedi. Admito que tive que puxar pela cabeça em alguns deles, a solução não é imediatamente óbvia. Quanto mais jogava, mais ficava encantado com este jogo de aventura no universo de Star Wars. É um jogo grande, que demora algum tempo até arrancar, mas com muitas surpresas agradáveis. Qualquer fã de Star Wars vai gostar do que este jogo tem para oferecer.

BD-1 não fica atrás de R2-D2 e BB-8

Os droids sempre figuraram nos filmes de Star Wars e tiveram papéis importantes. Em muitas ocasiões, Anakin Skywalker e depois Luke Skywalker tratam R2-D2 com um companheiro de carne e osso. Em Jedi Fallen Order isso também acontece com o droid BD-1. É o companheiro de Cal Kestis, estando sempre pendurado no seu ombro / costas. É BD-1 que te atira cápsulas curativas quando a tua sáude está em baixo e que mais adiante se torna numa peça fundamental para resolver puzzles, sendo capaz de ligar / cortar energia em painéis de acesso e de abrir portas fechadas. Em combate, BD-1 também é capaz de hackear droids de combate e de colocá-los a combater a teu favor.

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O teu droid não é a única personagem interessante que vais conhecer. Embora a tripulação da tua nave não tenha um papel activo na jogabilidade como BD-1, à medida que a história avança vais ganhando afecto por eles. Acima de tudo, a Respawn Entertainment conseguiu criar personagens que, de facto, encaixam bem no universo de Star Wars.

“Em combate, BD-1 também é capaz de hackear droids de combate e de colocá-los a combater a teu favor”

Existem muitos erros e arestas por polir

Apesar de todas as qualidades que Star Wars: Jedi Fallen Order tem, a experiência é prejudicada por vários erros. Os problemas que encontrei são de uma natureza técnica, como problemas de colisão, atraso no carregamento de texturas, quebras de framerate (houve momentos em que a imagem ficou mesmo congelada), inimigos presos dentro da geometria e personagens a entrar por texturas adentro. O jogo precisa, sem dúvida, de ser polido. Se não fossem estes problemas, este podia ser um dos melhores jogos do ano para quem gosta de Star Wars. Obviamente vivemos numa actualidade em que é possível alterar drasticamente os jogos através de actualizações, mas isso não é uma desculpa para lançar um jogo com tantos erros.

Star Wars: Jedi Fallen Order – O veredicto – A força é forte neste jogo!

Este é o jogo pelo qual os fãs de Star Wars tanto esperaram! É uma grande aventura no universo de Star Wars, com um sistema de combate desenhado para te sentires como um verdadeiro Jedi. Embora não seja inovador, inspirando-se em Dark Souls e no estilo cinematográfico característico da Naughty Dog, o resultado é altamente satisfatório. Para fazer esta análise jogamos sobretudo na PS4 Pro, devido à maior taxa de fotogramas por segundo, que beneficia imenso o combate e o desempenho. Nas consolas padrão – a PS4 e Xbox – a experiência é consideravelmente pior. A falta de optimização e existência de problemas técnicos prejudicam-no.

Prós: Contras:
  • O melhor combate de sempre com lightsabers
  • BD-1 é adorável e útil
  • Diversos planetas para visitar, com puzzles e exploração
  • Muitas habilidades para desbloquear
  • A banda sonora de Star Wars
  • Uma história que os fãs vão gostar de conhecer
  • Muitos problemas técnicos
  • Podia haver mais variedade de inimigos
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