The Legend of Zelda: Link’s Awakening – Análise – Um elo com o passado

The Legend of Zelda: Link’s Awakening é o mais recente exemplo do quão singular é a postura da Nintendo, uma companhia que se rege pelas suas próprias ideias e que percorre um percurso só seu. Para o bem e para o mal, assim o tem feito ao longo das décadas. A forma protectora com que gere as suas propriedades tem-lhe valido algumas críticas, mas essa postura também lhe permitiu surpreender os fãs ao anunciar um remake do clássico de 1993 lançado na Game Boy: Zelda: Link’s Awakening para a Nintendo Switch cujo maior poder está na capacidade de comprovar a qualidade do original.

Zelda: Link’s Awakening pode ser descrito como o Zelda: Breath of the Wild da sua era, um jogo que revolucionou ao apresentar em formato portátil uma das mais acarinhadas séries da Nintendo. Um projecto extra da Nintendo que se transformou num dos mais memoráveis lançamentos da companhia, sobejamente conhecida pelas suas portáteis. Juntamente com a Grezzo, a Nintendo trabalhou neste remake e poderás ficar espantado com o quão fiel se manteve ao original, apesar da sua nova e adorável estética visual.

Zelda: Link’s Awakening é uma autêntica homenagem ao original, um jogo que recria com elevada fidelidade essa referência da Nintendo, ao ponto dos guias dos anos 90 ainda servirem para te ajudar. Existem diversas melhorias na tecnologia para o tornar mais apelativo e fluído em 2019, mas na sua essência, Zelda: Link’s Awakening ainda é o mesmo jogo de 1993. Este é um jogo de acção e aventura, visto de cima, no qual percorres a Ilha de Koholint com Link para descobrir 8 instrumentos musicais escondidos em masmorras que são verdadeiros quebra-cabeças e defendidas por bosses.

“É um verdadeiro elo com o passado que atesta como intemporal o design da Nintendo”.

A estética que parece transportar-te para um diorama, numa perspectiva aérea, com personagens que relembram os soldadinhos de chumbo, combinada com as memoráveis melodias da série The Legend of Zelda fazem com que Zelda: Link’s Awakening seja um jogo instantaneamente convidativo. Jogos como Oceanhorn (uma homenagem à série The Legend of Zelda) tentaram uma abordagem similar, mas a qualidade apresentada pela Nintendo aqui não tem rival. A quantidade de detalhes, as cores, efeitos, animações e todos os pequenos pormenores (os movimentos de Link são simplesmente adoráveis) elevam a sua qualidade estética para um patamar superior. Esta é a primeira forma de Zelda: Link’s Awakening te desarmar, de te convidar a relaxar e a descobrir o que tem para oferecer, mas apenas o seu aspecto visual é adorável.

Assim que deres por ela, estás envolvido num jogo cuja estrutura é evitar ao máximo o “hand-holding” e desafiar-te a explorar os diversos locais. Como é habitual nesta série, terás de levar Link para os locais acessíveis e descobrir neles novos itens, armas ou utensílios que te vão ajudar a obter as chaves das masmorras. No entanto, se inicialmente tens pequenas dicas para onde ir, como lá chegar ou ultrapassar os obstáculos é diferente. Terás de explorar, descobrir os novos locais onde já podes chegar, onde usar as novas ferramentas e como desbloquear mais uma peça do puzzle que é esta ilha.

Se conseguires solucionar esse puzzle que é o teu próximo destino em Koholint e o teu espírito explorador for recompensado com o acesso a um novo local, terás de navegar pelas suas infernais masmorras. Em Zelda: Link’s Awakening, passarás muito tempo em masmorras – verdadeiros quebra-cabeças que terás de solucionar sala após sala. Navegar pelas masmorras poderá ser uma dor de cabeça, no bom sentido. Por vezes, será difícil memorizar as salas onde já estiveste ou solucionar os puzzles das salas que te deixam obter mais uma chave para sala após sala chegar ao boss. Depois tens o boss em si, que exige uma mecânica ou ferramenta específica para ser derrotado. Frequentemente vais-te sentir estúpido por não ter pensado antes na solução.

“Ao combinar um jogo de aspecto fofo e adorável com a ausência de hand-holding, a Nintendo e a Grezzo alcançaram um resultado inesperadamente viciante”.

A estética visual aposta num tom fofo e adorável para se tornar mais convidativa, mas o gameplay ostenta o espírito típico dos jogos dos anos 90 e não te dá a mãozinha. Desafia-te a explorar e a descobrir para onde ir, como solucionar o puzzle de chegar a um novo local ou numa sala de uma qualquer masmorra (onde até tens momentos em 2.5D para homenagear ainda mais o original) e descortinar o significado de algumas pistas. Isto resulta numa combinação verdadeiramente divertida. Poderá ser ocasionalmente frustrante a sensação que estás perdido, mas acredita que a culpa será sempre tua.

Sendo um remake que honra de forma memorável o aclamado original, Zelda: Link’s Awakening apresenta uma novidade: a possibilidade de criar masmorras originais para desafios adicionais, que até podem ser enfrentados por outros jogadores. Esta é a grande novidade do jogo e uma boa forma de prolongar a sua vida (terminar o jogo poderá demorar até 15 horas), mas gostaria de ter visto outras melhorias. Os controlos de Link continuam a não permitir disparar setas ou atirar bombas na diagonal e essa seria uma novidade muito oportuna. Além disso, o D-pad não é usado em Zelda: Link’s Awakening e poderia servir para uma roda de acesso rápido para trocar de ferramentas. Existem algumas actualizações neste aspecto, como as melhorias no escudo e armas que ficam equipadas de forma permanente, mas um melhor aproveitamento do maior número de botões na Switch poderia ter beneficiado o gameplay.

O mais curioso neste remake é constatar que a Grezzo e a Nintendo apenas tiveram de se manter muito próximas do original para tornar apelativo o jogo em 2019. É pena os controlos não terem sido melhor aproveitados e os movimentos de Link expandidos para 360º, mas uma grande parte da qualidade de Zelda: Link’s Awakening reside na fidelidade ao original. Um jogo pensado para desafiar o jogador e o fazer sentir inteligente quando avança. Zelda: Link’s Awakening vai exigir a tua atenção e não te dá a mão, recompensando-te com uma adorável aventura.

Prós: Contras:
  • Nem Marin te dá a mãozinha e terás de descobrir para onde ir e como derrotar os bosses
  • As masmorras são quebra-cabeças engenhosos que te vão desafiar
  • A estética visual geral é sublime
  • É um jogo ao estilo da velha guarda que vai exigir a tua atenção
  • Recriação tão fiel que os guias e dicas do original funcionam neste remake
  • A ausência de verdadeiras novidades fora da categoria easter eggs
  • Visualmente, a qualidade desce consideravelmente nas masmorras
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